Além de tomar substâncias que aumentam a massa muscular e a força, alguns atletas tomam drogas e envolvem-se com práticas que aumentam a quantidade de oxigênio nos tecidos, incluindo hormônios proteicos, transportadores artificiais de oxigênio e doping sanguíneo.
Hormônios proteicosA eritropoietina (EPO) é um hormônio proteico natural. É secretado pelos rins durante condições de baixos níveis de oxigênio. A EPO estimula as células tronco da medula óssea a produzir glóbulos vermelhos, que aumentam o transporte de oxigênio para os rins. Os atletas de resistência, como aqueles que competem em maratonas, ciclismo ou esqui em regiões planas e rurais cobertas de neve, podem usar EPO para aumentar o fornecimento de oxigênio, de 7 a 10%. É uma substância difícil de ser detectada. O aumento da densidade dos glóbulos vermelhos, causado pelo EPO, pode engrossar o sangue. O sangue grosso, que está mais para mel do que para água, não flui bem pelos vasos sanguíneos. Para bombeá-lo, o coração tem que trabalhar muito, o que aumenta as chances de ataque cardíaco e derrame cerebral.
Transportadores artificiais de oxigênioSão substâncias fabricadas pelo homem e podem fazer o trabalho da hemoglobina, a proteína transportadora de oxigênio no sangue. Os médicos utilizam-nos para tratar problemas respiratórios em bebês prematuros, em pacientes com problemas pulmonares severos e em mergulhadores de águas profundas. Os transportadores incluem substâncias tais como perfluorocarbonos, hemoglobinas sintéticas ou modificadas e hemoglobinas encapsuladas por lipossomas (glóbulos vermelhos artificiais). Ainda não se sabe como beneficiam os esportistas. Os efeitos colaterais incluem problemas no sistema imunológico, problemas cardiovasculares, sobrecarga de ferro e danos nos rins.
Doping sanguíneo
A dopagem sanguínea consiste na administração de sangue ou derivados a um atleta sem ser por motivos médicos. A administração pode ser autóloga (a extracção do sangue do próprio atleta, sua conservação e posterior reintrodução, dias antes de uma competição), ou homóloga (proveniente de dadores) Um efeito semelhante pode ser alcançado por meio de treinos em grandes altitudes. Um esportista que passa por esse procedimento pode ter algum tipo de infecção ou problemas cardiovasculares, por causa do aumento do volume de sangue (aumento da pressão sangüínea, formação de coágulos, problemas no coração e derrame cerebral). Se usar o sangue de outra pessoa, corre o risco de adquirir infecções virais, tais como AIDS.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirAté pouco tempo não havia como detectar a EPO em exames antidoping. Porém, cientistas australianos e franceses conseguiram recentemente desenvolver um método capaz de detectar a presença da substância, combinando exames de urina e de sangue. O metódo que detecta EPO por intermédio do sangue foi desenvolvido pelos australianos e o da urina, pelos franceses, e ambos os exames são eficazes e foram reconhecidos pela comunidade científica. Entretanto, pelo sangue a EPO é detectada até 20 dias depois de injetada, enquanto pela urina, esse prazo é de 3 dias. O COI está usando os dois métodos para detectar um resultado positivo e já foi usado nas Olimpíadas de Sydney.
ResponderExcluirhttp://books.google.com.br/books?id=iUzYECxfyGoC&pg=PT82&lpg=PT82&dq=EPO+injetada+doping&source=bl&ots=UFUQZp9V8-&sig=9rw6SzDZN3tEuTYsXy2vgTZo_Z8&hl=pt-BR&sa=X&ei=hT_AU83QKZWksQTRtoCoBg&ved=0CCQQ6AEwAQ#v=onepage&q=EPO%20injetada%20doping&f=false
De acordo com o United States Olympic Committee (USOC) citado por Fox, Bowers & Foss (1991), o "doping" sangüíneo é a injeção intravenosa de sangue (sangue total, papa de hemácias ou derivados de sangue) no organismo de um atleta independentemente do fato desse sangue ser do próprio atleta ou de outra pessoa, com a finalidade de aprimorar o desempenho. A partir do conhecimento de que quando um atleta é submetido a treinamentos em altitudes elevadas, sabe-se, sua capacidade aeróbia é aumentada e, com base na resposta do organismo quando exposto a uma condição de hipóxia, iniciaram-se, nos anos 70, as pesquisas na área do "doping" sangüíneo com Ekblom, Oldbarg & Gullbring (1972). De acordo com McArdle, Katch & Katch (1992), admite-se, teoricamente, que o volume sangüíneo acrescentado contribui para um maior débito cardíaco máximo e que a papa de hemácias aumenta a capacidade sangüínea de transportar oxigênio (O2) e, desta forma, eleva-se a quantidade de O2 disponível para os músculos ativos.
ResponderExcluirhttp://cev.org.br/biblioteca/doping-sanguineo-esporte/
A eritropoietina pode ser naturalmente produzida pelo corpo em duas situações que demandam o aumento da concentração de hemácias no sangue: deslocamento para locais de maior altitude (ar mais rarefeito) e gravidez. Por tanto, em período de competições, atletas podem treinar em locais de maior altitude ou em uma manobra mais desesperada, engravidar. Isso aumenta a eritropoietina produzida nos rins, consequentemente o número de hemácias e o fornecimento de oxigênio aos tecidos. É um tipo de dopping natural hehe.
ResponderExcluirfonte: aula do professor Paulo Humberto, biofísica.
Imediatamente após o doping sanguíneo são produzidos ajustes fisiológicos compensatórios que preservam o efeito aeróbico. Há um fluxo de plasma do espaço intravascular para o espaço extravascular, restaurando o volume sanguíneo ao normal sem modificar o trabalho cardíaco e com um aumento da liberação total de oxigênio secundário ao aumento da concentração de hemoglobina. Além disso, acha-se que esta técnica melhora o desempenho ao atuar na termorregulação, compensando o efeito inibitório do ácido lático.
ResponderExcluirFonte: Doping sanguíneo e eritropoetina. Autores: Consuelo Laudo Pardos, Victor Puigdevall Gallego, María Jesús de Río Mayor e Alfonso Velasco Martín.
Outros efeitos secundários do doping sanguíneo podem ser: comichão, febre e choque, devido a uma reação alérgica; choque metabólico; reações hemolíticas agudas com danos hepáticos, se for utilizado um tipo de sangue errado; reações de transfusão atrasadas que resultam em febre e icterícia (potencialmente ameaça de vida) e transmissão de outras doenças infecciosas (como hepatite viral).
ResponderExcluirhttp://www.doping-prevention.sp.tum.de/pt/substances-and-methods/enhancement-of-oxygen-transfer/side-effects.html
A EPO causa poucos efeitos colaterais e aqueles já relatados não estão necessariamente atribuídos à droga em si. Para pacientes submetidos à hemodiálise, a EPO tem sido associada com um aumento da pressão arterial. O European Multicenter Study relatou que a EPO (dose média semanal de ~250U·kg-1 por via venosa) aumentou a pressão arterial média (em repouso) de 95 para 99mmHg em seis meses, mas esta não estava aumentada em um ano (97mmHg)69. O Canadian Multicenter Study relatou que a EPO (~300U·kg-1 por via venosa) não alterou a pressão sistólica em repouso, mas a pressão diastólica aumentou de 78 para 85mmHg após seis meses. A incidência de aumento da pressão arterial parece estar relacionada com a dose da EPO.
ResponderExcluirHá alguma evidência de que a pressão arterial de adultos saudáveis pode ser afetada pela EPO. Berglund e Ekblom31 estudaram as respostas de pressão arterial em estudantes saudáveis de educação física que receberam EPO (~30U·kg-1 por via SC) por seis a sete semanas. Esses autores não relataram nenhuma diferença na pressão arterial sistólica ou diastólica em repouso e nenhuma diferença na pressão arterial sistólica durante exercício de leve intensidade (100W). Durante exercício de intensidade moderada (200W) a pressão arterial sistólica aumentou de 177 para 191mmHg após a EPO. Portanto, o aumento da pressão arterial deve ser considerado como um fator de risco potencial para o uso da EPO em atletas.
Outros efeitos colaterais associados com a EPO são sintomas semelhantes à gripe e hiperpotassemia. Os sintomas semelhantes a uma gripe são habitualmente leves e fugazes. Os níveis aumentados de potássio plasmático foram relatados em pacientes em diálise que foram tratados com EPO; o aumento parece ser maior durante o início do tratamento. Indivíduos saudáveis que recebem múltiplas doses de EPO podem apresentar uma inibição da sua produção endógena de EPO. Essa inibição provavelmente não ocorre até que a EPO aumente a massa de hemácias acima dos níveis normais.
O doping sanguíneo é considerado um "recurso ergogênico" no contexto do esporte e desempenho atlético. O praticante de esporte considera um "recurso ergogênico" um procedimento ou agente que proporcione ao atleta um limite competitivo além do que seria conseguido através de métodos normais de treinamento10. Ao contrário, um cientista define um recurso ergogênico como um procedimento ou agente experimental que melhore o desempenho físico em comparação com um placebo10. A melhora do desempenho pode ser demonstrada no laboratório das seguintes formas: (a) prolongando o tempo para atingir a exaustão em uma determinada intensidade de esforço, (b) atingindo uma potência média maior para uma determinada duração de esforço, (c) atingindo uma potência máxima maior e/ou (d) conseguindo completar um determinado tipo de exercício em um menor tempo. Como já deixei claro em outro posicionamentos, na minha opinião não apenas essa modalidade como qualquer outra deveria ser liberada para uso de quem considere importante ou interferente em sua capacidade atlética.
ResponderExcluirVale ressaltar o uso de eritropoietina não é exclusivo do dopping. Uma importante complicação da doença renal crônica é a anemia. Decorre da diminuição da sobrevida das hemácias nos pacientes e, também, da perda progressiva da capacidade de síntese renal do hormônio eritropoetina, que estimula a produção dos eritrócitos pela medula óssea.A anemia pode ocorrer em qualquer estágio da doença renal crônica, tornando-se mais prevalente e severa à medida que a doença progride. Infelizmente, no Brasil, há poucos dados sobre a prevalência desse tipo de anemia. A maioria dos estudos fornece estimativas indiretas do panorama da anemia em nosso país, relacionando-se, por exemplo, ao percentual de utilização de medicamentos para tratar anemia em pacientes em tratamento dialítico, ou à investigação de variações nos níveis de hemoglobina em pacientes tratados. Dados do Censo de Diálise de 2008 apontaram um percentual de 83% de pacientes em uso de medicamento para tratar anemia e um percentual de 41,7% dos pacientes tratados com exames de hemoglobina abaixo do alvo terapêutico. Por sua vez, o Ministério da Saúde estima, com base em informações do Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA) referentes a 2008 e 2009, que cerca de 80% dos pacientes em hemodiálise no período utilizaram medicamento para tratar anemia.O tratamento padrão para a anemia na doença renal crônica, atualmente, consiste na administração de agentes estimulantes da eritropoiese. Dentre estes, por seu custo mais baixo, a eritropoetina humana recombinante, ou alfaepoetina, é o fármaco mais utilizado na terapêutica, inclusive no Brasil.
ResponderExcluir