Doping tecnológico
Assim como em outros campos, os atletas, treinadores e até médicos envolvidos com o esporte competitivo buscam sempre inovações para melhorar o desempenho. Dentre elas estão métodos e substâncias que se caracterizam como doping. Historicamente, os atletas utilizam subterfúgios para não ser flagrados, tais como infusão de “urina limpa” na bexiga e reinfusão do próprio sangue. Já os laboratórios farmacêuticos têm desenvolvido hormônios esteroides anabolizantes com potente efeito anabólico e menor efeito androgênico (relativo aos caracteres masculinos). Nos últimos 20 anos, o desenvolvimento da biotecnologia permitiu a síntese, por bactérias com material genético modificado, de hormônios proteicos recombinantes, como insulina, hormônio do crescimento e eritropoetina, por exemplo, em escala comercial para fins terapêuticos, mas também usados como doping.
Os avanços biotecnológicos permitem imaginar que o futuro do doping será escrito utilizando o “alfabeto genômico”. Alguns genes, e as proteínas produzidas a partir deles, têm sido bastante estudados, inicialmente para fins terapêuticos e de saúde, porém também com os vieses do desempenho, da competição e da violação ética. As possibilidades do doping genético são as mais amplas: aumento de proteínas de transporte de O2, aumento de proteínas contráteis musculares e diversas outras relacionadas com a função da fibra muscular, aumento de hormônios proteicos, aumento de fatores de crescimento responsáveis pela reparação de lesões musculares e de outros tecidos, como o conjuntivo dos tendões e ligamentos, e aumento da endorfina, que permitiria menor sensação de dor. Também bastante interessante é a possibilidade de diminuição da expressão de genes cujas proteínas podem prejudicar o desempenho, por exemplo, a miostatina, responsável por limitar a hipertrofia muscular.
Porém, como acontece com todas as novas tecnologias, principalmente aquelas relacionadas à medicina e saúde, há muitas incertezas e problemas já observados. As terapias gênicas empregadas experimentalmente têm apresentado falhas em razão de efeitos apenas transitórios, respostas imunológicas e efeitos adversos dos vetores virais, os transportadores dos genes modificados.
Controle antidoping
A Agência Mundial Antidoping (WADA) é a responsável pela elaboração e atualização do código que rege os comportamentos e indica as substâncias e métodos que não devem ser utilizados nos esportes. O controle antidoping teve início nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão, em 1964. Porém, como não havia tecnologia para testes mais aprofundados, os atletas eram apenas questionados sobre o uso de medicamentos. Era feito um exame para achar marcas recentes de agulhas e havia coleta de urina. Como poucas substâncias podiam ser testadas, apenas cocaína, anfetaminas e drogas estimulantes eram listadas como proibidas.
Com o tempo, novos equipamentos e métodos de análise foram sendo incorporados. Na década de 1980, passaram a ser utilizados testes indiretos que consistiam em comparações de duas substâncias presentes naturalmente no organismo. Por exemplo, a razão entre testosterona e epitestosterona, o próprio valor do hematócrito e a relação entre a concentração do hormônio eritropoetina e a idade das hemácias como indicador de realização de autotransfusão sanguínea.
A partir da década de 1990, juntamente com a urina, o sangue passou a ser coletado e analisado, permitindo a detecção de hormônios proteicos. Os atletas de nível mundial também passaram a ser testados durante o treinamento e não apenas nas competições. Nada mais pertinente, já que eram os procedimentos mais comuns o uso do doping na preparação e a “limpeza” do organismo no período anterior à competição. Tais testes são realizados em períodos quadrimestrais ou de surpresa.
Finalmente, nos últimos dez anos tem sido implantado o Passaporte Biológico do Atleta, um prontuário de testes do esportista, realizado durante o treinamento e as competições. Ele permite traçar seu perfil sanguíneo e fazer um histórico dos resultados dos testes de urina. Verificadas alterações do perfil, são realizados testes específicos para confirmação de violações. A análise do perfil sanguíneo proporciona grande sensibilidade e a detecção de métodos sofisticados de doping.
As dificuldades enfrentadas pela WADA para o controle rígido do doping nos diversos países referem-se aos custos de manutenção de estruturas e pessoal qualificado para realizar periodicamente as coletas e análises, assim como à autonomia que as federações esportivas têm para realizar os testes, seja em treinamentos ou competições, de acordo com suas possibilidades e interesses não declarados. Por isso, especialmente em alguns países, os atletas dopados parecem estar sempre um passo à frente da WADA.
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ResponderExcluirO caso do doping genético nos mostra pretensão do ser humano em ultrapassar sua barreira/limite biológico. Assim como a invenção do carro, avião e outros meios que nos permitiram romper essa barreira ao longo dos anos, não vejo problema nesses métodos de uso de drogas/fármacos que estimulem um rendimento ou desempenho superior do individuo, contanto que permaneça no limiar ético. Por mais que se refine os métodos e testes anti-doping deve ser levado em consideração que sempre teremos a vertente que busca por métodos de doping mais discretos (dificilmente detectados) e outras drogas que sinergicamente acobertam os rastros químicos que ficam no organismo do usuário de substâncias que estimulam o desempenho. Essa constante luta perdurará e, por compensação, se co estimularão por um bom tempo.
ResponderExcluirA preocupação das autoridades do COI e da WADA é encontrar formas de fiscalização e controle a tempo de evitar os primeiros casos de doping genético. “Os investimentos e o estímulo a diversos grupos de pesquisa internacionais permitiram alguns progressos”, conta Mark Frankel. Um passo decisivo foi dado no final de 2010, quando cientistas das universidades de Tübingen e Mainz, na Alemanha, desenvolveram um exame de sangue capaz de identificar a transferência de genes artificiais para a musculatura esquelética. Avanços também foram anunciados por pesquisadores das universidades da Flórida, nos EUA, e de Nantes, na França. Eles descobriram características peculiares que distinguem as proteínas produzidas a partir dos genes manipulados. A diferença é detectada quando se observam os padrões de glicosilação, processo em que as moléculas de glicose que flutuam no sangue se ligam a moléculas de proteína.
ResponderExcluirFonte :https://www.ufmg.br/online/arquivos/024305.shtml
O princípio da terapia gênica consiste na transferência vetorial (usando-se um vetor como um vírus, por exemplo) de materiais genéticos para células-alvo, com o objetivo de suprir os produtos de um gene estruturalmente anormal no genoma do paciente em questão. O potencial para uso indevido da terapia gênica entre atletas tem despertado a atenção de cientistas e de órgãos reguladores de esporte. A transferência de genes que poderiam melhorar o desempenho esportivo por atletas saudáveis, método que foi proibido em 2003, foi denominado de doping genético. Os métodos atuais de detecção de doping (da WADA, por exemplo, instituição citada no post) não são sensíveis a esse tipo de manipulação, o que poderia contribuir para seu uso indevido entre os atletas. Além disso, a terapia gênica ainda apresenta problemas conhecidos de aplicação, como resposta inflamatória e falta de controle da ativação do gene. Em pessoas saudáveis, é provável que tais problemas sejam ainda mais importantes, já que haveria excesso do produto do gene transferido. Há também outros riscos ainda não conhecidos, específicos para cada tipo de gene. Não é uma técnica concluída, que não possui certeza quando realizada objetivando sua função principal (citada no início), que dirá para doping de atletas, normalmente feito em laboratórios clandestinos e pouco confiáveis.
ResponderExcluirFonte: http://www.scielo.br/
Diferentemente do objetivo da terapia gênica, que consiste em alterar um gene para obter
ResponderExcluira cura como resultado, o doping genético não requer exatamente a modificação em um gene
específico, pois há muitos genes que, se modificados, podem levar ao aumento do desempenho
esportivo. Rankinen et al. (2004) elaboraram, a partir de dados da literatura específica, um mapa
com os genes candidatos para os fenótipos de desempenho físico e saúde. Como tem sido um
trabalho constante do pesquisador desde 2000, na atualização de 2003 do mapa foram registrados
109 genes nucleares, dois ligados ao cromossomo X e 15 mitocondriais. Na atualização de 2005
os autores incorporaram os genes que foram associados tanto à condição física quanto aos
indicadores de sedentarismo. Assim, a nova versão inclui 140 genes autossômicos e QTLs6
, além
de quatro genes ligados ao cromossomo X e 16 genes mitocondriais (Wolfarth, 2005).
file:///C:/Users/Usuario/Downloads/BoletimEF.org_Doping-genetico-e-esporte.pdf
A pressão do atleta pela superação de seus concorrentes e pela quebra de records, ou somente por uma performance superior à que geneticamente se seria possível o leva a optar pela melhoria através de doping. Se a tecnologia que propicia essa melhoria está crescendo é porque crescente também é a demanda por ela. O conhecimento bioquímico das demandas hormonais, seus fluxos e inibidores permite ao atleta selecionar químicas que melhor se adaptem à sua necessidade esportiva, o que tende à criação de super homens, que irão quebrar records antes considerados impossíveis, levantar mais peso, correr mais rapidamente, não será esse o uso da tecnologia aplicada na melhoria do desempenho humano?
ResponderExcluirPesquisando sobre dopping, achei esse um tanto quanto hilário usado em natação, e gostaria de compartilha-lo Nos regimes comunistas era comum em nadadores a inoculação de ar pelo ânus imediatamente antes das provas para facilitar a flutuação na água. Em muitos países não comunistas, esta trapaça também foi usada e hoje é técnica abandonada, pelo incômodo abdominal e pelas novas técnicas nos treinamentos de natação.
ResponderExcluirAs especulações sobre o uso do doping genético começaram em 2004, durante as Olimpíadas de Atenas, mas a questão só se tornou mais aberta à discussão quatro anos mais tarde, em Pequim.
ResponderExcluirNesse tipo de doping, algumas células do atleta são tratadas de forma refinada e reinseridas em seu organismo e, em artigo escrito por Carnevali Junior, o profissional explica que os genes alvos desse tipo de manipulação “são aqueles que proporcionam o aumento na captação de oxigênio com consequente perda de peso, otimização do metabolismo energético e rápido ganho de massa muscular”.
http://www.educacaofisica.com.br/index.php/ciencia-ef/canais-cienciaef/doping/25359-modificacao-genetica-para-melhorar-performance-de-atletas-pode-ser-considerada-doping
O doping genético é uma ameaça à integridade do desporto e da saúde dos atletas. Como a organização internacional responsável pela promover, coordenar e acompanhar a luta global contra o doping no esporte em todas suas formas, a WADA está a dedicar recursos significativos e atenção para identificar formas de detectar e prevenir o doping genético.
ResponderExcluirhttp://www.ebah.com.br/content/ABAAABk4UAG/doping-genetico-seus-principais-genes-alvos?part=2